Edição Nº 04/07 - Proteína dietética: um nutriente essencial para a saúde óssea
14/02/2007

Proteína dietética: um nutriente essencial para a saúde óssea
A Nutrição é fundamental para o desenvolvimento e manutenção da resistência das estruturas ósseas para a movimentação mecânica. Juntamente com o cálcio, na presença da quantidade adequada de vitamina D, as proteínas representam um nutriente chave para a saúde óssea, e conseqüente prevenção da Osteoporose.
Em oposição clara às evidências experimentais e clínicas, é alegado que as proteínas, particularmente as de origem animal, podem ter um efeito deletério na saúde dos ossos, incluindo acidose metabólica crônica, que acaba sendo responsável pelo aumento da calciúria e aceleração da dissolução mineral.
Essa revisão levanta os seguintes pontos, além das afirmações acima citadas:
deficiências seletivas em dietas protéicas experimentais, causaram deterioração na massa óssea, micro-arquitetura e resistência, o sinal da Osteoporose;
estudos clínicos epidemiológicos de longa perspectiva indicaram uma relativa associação entre alto consumo de proteína com o aumento da massa mineral e redução da incidência de fraturas por osteoporose.
baixo consumo de proteínas é observado em pacientes com fraturas de costela e estudos mostram que a suplementação protéica no pós-fratura com perda de osso, aumenta a força muscular, reduz complicações médicas e permanência em hospital;
não há evidências consistentes da superioridade da proteína de origem vegetal no metabolismo do cálcio, prevenção de perda óssea e redução de riscos de fraturas por fragilidade óssea. (1)
Novas Perspectivas na nutrição do cálcio e qualidade dos ossos
É consenso que o consumo da quantidade adequada de cálcio é importante para construção e manutenção do esqueleto, para que se expresse quantitativamente o potencial genético e reduza os risco de fraturas durante a vida.
Nessa breve revisão, os pesquisadores focaram o trabalho em pessoas jovens e em crescimento, e a evidência de que a ingestão adequada de cálcio com foco qualitativo tem influência no esqueleto, independente da quantidade de ossos, e sua influência na resistência e fragilidade dos mesmos.
A massa óssea e o tamanho do indivíduo durante o crescimento depende do consumo de cálcio e da prática de exercícios. Grandes diferenças são observadas em crianças na idade pré-puberidade, que fazem níveis de exercícios maiores e alto consumo de cálcio. Muito dos benefícios desses hábitos são expressados no diâmetro dos ossos. O pico do risco de fraturas ao redor da época da puberdade é inversamente proporcional à massa óssea. Crianças com baixo consumo de cálcio são 2,7 vezes mais vulneráveis a fraturas.
Como pontos importantes dessa revisão, os autores ressaltam:
baixa massa óssea está associada ao aumento do risco de fraturas em crianças, assim como em adultos;
baixo consumo de lácteos é uma das causas da baixa massa óssea durante o crescimento;
atividades físicas e consumo de cálcio interagem durante o crescimento com um maior acúmulo de massa óssea;
a remodelação óssea, necessária para reparação dos ossos, serve como uma homeostase do cálcio;
a redução da remodelação dos ossos com um alto consumo de cálcio produz uma imediata redução no risco de fraturas.(2)
O consumo de leite na infância protege contra o aparecimento da Osteoporose mais tarde?
A importância do consumo de cálcio dietético na infância a na adolescência, que nos Estados Unidos é proveniente do alto consumo de leite e derivados, para o risco de fraturas por Osteoporose numa idade mais avançada é geralmente assumida como um fato.
Vários estudos mostram dados inconsistentes nesse assunto.
Porém, uma grande quantidade de estudos apontam associação positiva entre consumo de cálcio na infância e densidade mineral óssea na pré-menopausa, por exemplo.
No trabalho de Kalkwarf et al (4), dados importantes foram relatados.
O consumo de leite durante a infância e a adolescência foi associado com o teor mineral ósseo (BMC) e com a densidade mineral óssea (BMD) em mulheres entre 20-49 anos de idade. Adultos jovens que consumiram menos de 1 porção de lácteos por dia, durante a infância tiveram BMC 5,6% menor que adultos jovens que consumiram mais de 1 porção por dia (análise no osso do quadril). Os resultados de BMC e BMD do quadril foi similarmente significativo com a categoria de consumo de lácteos (quantidade de leite e derivados ingeridos) para as mulheres com menos de 50 anos.
O baixo consumo de leite na infância foi associado com maior risco de fraturas em mulheres mais velhas.
Os autores estimaram que o baixo consumo de leite na infância resultou num aumento de 11% nas fraturas em decorrência de osteoporose, quando as mulheres apresentam idade mais avançada.
Referências:
(1) Dietary Protein: an essential nutrient for bone health. JOURNAL OF THE AMERICAN COLLEGE OF NUTRITION, Volume 24, Número 6, Páginas 526S-536S , 2005.
(2) Newer Perspectives on Calcium Nutrition and Bone Quality. JOURNAL OF THE AMERICAN COLLEGE OF NUTRITION, Volume 24, Número 6, Páginas 574S-581S , 2005.
(3) Does milk intake in childhood protect against later osteoporosis?. AMERICAN JOURNAL OF CLINICAL NUTRITION, Jan 2003; 77: 10 - 11.
(4) Kalkwarf HJ, Khoury JC, Lanphear BP. Milk intake during childhood and adolescence, adult bone density, and osteoporotic fractures in US women. AMERICAN JOURNAL OF CLINICAL NUTRITION, 2003;77:257-65.
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