11/04/2008
OSTEOPOROSE E LEITE
Licinia de Campos *
Osteoporose é uma doença na qual os ossos se tornam frágeis e com tendência a se quebrarem. Se não prevenida ou deixada sem tratamento, pode progredir sem dor até a quebra de um osso. Estas quebras de ossos chamadas de fraturas ocorrem normalmente no quadril, espinha dorsal e punho.
Qualquer osso pode ser afetado, mas as fraturas de quadril e espinha dorsal são as mais preocupantes. Fratura de quadril quase sempre necessita de hospitalização e cirurgia. Pode limitar a habilidade de uma pessoa em caminhar sem assistência e pode causar inabilidade prolongada ou permanente ou mesmo óbito. Fraturas espinhais ou vertebrais têm também sérias consequências, incluindo perda de altura, dor severa nas costas e deformidades.
A osteoporose afeta ambos os sexos, embora a incidência seja geralmente maior em mulheres pós-menopausa. Uma das perguntas mais frequentes em relação à osteoporose é se devemos ingerir leite e derivados para suplementar o cálcio e vitamina D necessários para evitar esta doença, ou se a solução reside na suplementação em cálcio.
Motivos da confusão
O motivo pelo qual nutricionistas ainda estão inseguros sobre esta questão é pelo fato de alguns estudos terem investigado o tratamento dietético da osteoporose. A maioria dos estudos preventivos fizeram uso de suplementos em cálcio e vitamina D, mais uma ampla variedade de outros tratamentos como terapia de reposição hormonal, flúor, e/ou medicamentos.
Há indicações pelos estudos, os quais não estudaram o efeito direto do leite e derivados em osteoporose, mas outros eventos como a diminuição de pressão pela dieta DASH, encontrando aumentos positivos na densidade mineral dos ossos. Este incremento na força óssea foi atribuído a altas ingestões de leite desnatado e derivados na dieta DASH.
É sabido que reservas de cálcio são depositadas no esqueleto durante os anos de adolescência e começo de vida adulta, e que garotas e mulheres que não incluem quantidades adequadas de leite e derivados nas suas dietas, têm menor densidade mineral nos ossos, resultando em osteoporose na vida posterior.
Novos estudos
Em estudo recente conduzido na Malásia, em mulheres na fase pós-menopausa, foram encontradas algumas provas de que a ingestão de dois copos de leite por dia pode prevenir a perda de cálcio do esqueleto. Neste estudo, 173 mulheres em experimento de 24 meses ingeriram 50g de leite em pó desnatado misturado com 400ml de água por dia. O leite em pó desnatado forneceu 1200mg de cálcio por dia. O grupo de controle continuou com sua dieta normal, que não incluía os 2 copos de leite desnatado/dia.
Após 24 meses, os resultados demonstraram que o grupo experimental, quando comparado ao grupo de controle, teve mudanças significativas, maiores em cálcio (1440 X 450mg/dia), significativo aumento dos níveis séricos em vitamina D (89,4 X 71,3 nmol/L) e menores taxas em perda óssea mineral.
Portanto foi indicativo que o tratamento dietético da osteoporose pode exercer papel importante na prevenção da perda óssea em mulheres de mais idade.
Importância do cálcio dietético
O combate da perda mineral óssea no período pós-menopausa é mais vantajoso com cálcio dietético do que com suplementos pelos seguintes motivos:
• Planejamento nutricional adequado é sempre mais desejável e mais apropriado na prevenção da osteoporose. A saúde e força óssea adequada é dependente de vários fatores dietéticos como ingestão em proteínas, cálcio, magnésio, zinco, vitamina K, vitamina D e flúor. Leite e seus derivados fornecem proteínas de boa qualidade, magnésio, cálcio e vitamina D, assim pode-se atingir objetivos dietéticos numerosos e importantes pela inclusão destes alimentos na dieta.
• Como as interações nutritivas são complexas, o tratamento dietético é frequentemente mais efetivo do que o uso de suplementos. Um exemplo é a descoberta de que os suplementos de cálcio podem interferir com a absorção do zinco, o que não parece ocorrer quando o cálcio é derivado do leite e seus produtos.
• A população em desvantagem financeira pode achar difícil sustentar suplementos em cálcio, ao passo que leite em pó desnatado é um alimento relativamente barato, que a maioria das pessoas pode suportar.
• Os bons resultados demonstrados no estudo da Malásia indicam que uma simples intervenção dietética tal como a adição de 2 copos de leite desnatado com base na dieta diária, pode resultar em diferença drástica na saúde óssea.
• Ao considerar as opções, o leite utilizado no estudo da Malásia foi pobre em gorduras porque ficaram com medo de que causasse aumento de peso. Pode-se também usá-lo para fazer iogurte se for desejável maior variedade na dieta.
Fatores de risco
Os seguintes indivíduos podem considerar a adição de 2 xícaras de leite desnatado nas suas dietas diárias:
• Adolescentes e jovens mulheres em dietas perpétuas de perda de peso, que evitam leite por conta de seu teor gorduroso – lembrem-se que este é o período de suas vidas para armazenar grandes quantidades de cálcio nos seus esqueletos, necessário à prevenção de osteoporose em suas vidas posteriores.
• Qualquer mulher com deficiências hormonais femininas – todas as mulheres em fase pós-menopausa ou aquelas com menopausa precoce por qualquer motivo.
• Pessoas com desordens alimentares, especialmente mulheres jovens com falta de menstruação devido a anorexia ou bulemia.
•Homens e mulheres com baixos níveis de ingestão de cálcio.
Mitos do leite
Há muitos mitos do leite circulando por aí. A maioria deles não são cientificamente provados, mas vamos dar uma olhada nos mais populares:
• “Leite contém muita proteína, o que provoca perda de cálcio dos ossos” – o aviso de que alta ingestão de proteínas pode provocar perda de cálcio dos ossos está expressamente relacionada com a ingestão excessiva de proteínas da carne, e não à proteína derivada do leite e seus produtos. Ao ingerir 2 xícaras de leite desnatado por dia, não se está lotando o organismo com proteina excessiva.
• “O leite é responsável por muitas alergias, e deve ser evitado” – alguns indivíduos sofrem de alergia ao leite (tanto reagem à proteína do leite quanto ao açúcar do leite, a lactose, ocasionando intolerância à lactose). Se a pessoa passou por testes patológicos laboratoriais e foi cientificamente diagnosticada como tendo alergia ao leite ou intolerância à lactose, não necessita evitar leite. Pode-se tentar substituir o leite de vaca por leite de cabra ou por iogurte e verificar se os sintomas desaparecem.
• “Leite é somente para bebes e adultos não o necessitam”. Este tipo de raciocínio ilógico pode ser aplicado a outros alimentos, os quais o ser humano vem consumindo por milhares e milhares de anos. Na verdade, se levarmos esta razão ao extremo, então adultos não devem sobreviver com nada a não ser leite materno – o que é claro é impossível. A raça humana teve muito tempo para ajustar-se à ingestão de leite de vaca e mantivemos esta fonte de cálcio por milênios. Assim, mesmo que seu grupo sanguíneo indicar pertencer ao grupo “primitivo” da humanidade moderna, lembre-se de que a teoria da Dieta do Grupo Sanguíneo não é cientificamente comprovada (a razão do porquê a raça humana de um grupo sanguíneo específico deve ser alérgico ao leite, ou trigo, ou ao alimento X, e que cortando este alimento ajuda a perda de peso, permanece um mistério e é outro mito dietético). A maioria dos adultos usa leite com segurança para suprir as necessidades em cálcio e vitamina D, a menos que tenham alergia comprovada ao leite.
Os novos estudos relatados acima mostram que há uma solução simples e barata para evitar a osteoporose. A ingestão de somente 2 xícaras de leite desnatado por dia pode proteger seus ossos e dentes da deterioração à medida em que se envelhece. SIMPLES, MAS EFETIVO.
* Licinia de Campos Graduada em Nutrição (Universidade São Judas Tadeu) com formação autodidata em Gastronomia; pós-graduada em Gestão de Negócios de Serviços de Alimentação (SENAC); curso de especialização em Docência e Didática para Ensino Superior em Turismo e Hotelaria (SENAC); curso de Auditor Líder ISO 22000 (Food Design); ex-redatora do Suplemento Feminino do jornal “O Estado de SP”; Seminário de Antropologia Alimentar : “Alimentation et hiérarchies sociales et culturelles” pelo IEHCA em Tours, França; participante do programa “Com Sabor” da Rede Mulher por 3 anos; tradutora de diversos fascículos e livros para a Editora Globo; consultora gastronômica- nutricional do site SIC (Serviço de Informação da Carne); palestrante especializada em Gastronomia e Nutrição; redatora da revista NutriNews ; docente em vários cursos das unidades SENAC ; Consultora e Assessora Especializada em Gestão Operacional Administrativa de Unidades Alimentares.