Edição Nº 21/09 - Intolerância à lactose
14/01/2009
Intolerância à lactose
Definição
Intolerância à lactose, também chamada de deficiência em lactase, significa que a pessoa não digere completamente o açúcar do leite e derivados, a lactose. Não é uma doença perigosa, mas seus sintomas podem incomodar bastante.
O problema por detrás da intolerância é a deficiência de lactase – uma enzima produzida pela camada protetora do intestino delgado. A falta ou deficiência na produção da lactase faz com que a lactose chegue até o intestino grosso sem ser absorvida pelo organismo. Os sintomas da IL incluem, além de gases e diarréia, flatulência, inchaço e cólicas. Note-se que estes são todos sintomas dos intestinos baixos. Qualquer pessoa (exceto crianças) que estiver vomitando, arrotando, com azia ou outras doenças estomacais deve procurar por uma outra causa. Nem todas as pessoas com baixos níveis de lactase são intolerantes à lactose. Existem níveis de intolerância, pois a quantidade de enzima lactase produzida pelo corpo varia de pessoa para pessoa. Algumas pessoas possuem uma deficiência mínima na produção da enzima, ao passo que outras não a produzem. Isto afeta o nível de intolerância. Os alimentos podem levar de 12 horas até 2 dias para passar através dos intestinos. Assim os sintomas podem perdurar por longo tempo, e é difícil determinar exatamente quais os alimentos responsáveis pelo distúrbio.
Os sintomas podem ser controlados com uma dieta cuidadosamente montada, limitando a lactose, sem no entanto cortar o cálcio, e possivelmente com a inclusão de suplementos.
Sintomas
Os sinais e sintomas geralmente começam de 30 minutos a 2 horas após o consumo de alimentos contendo lactose. Estes incluem:
• Diarréia, que é o sintoma mais comum, mas também pode ocorrer constipação;
• Náusea;
• Cólicas abdominais;
• Inchaço;
• Gases.
Os sintomas são geralmente suaves mas em algumas pessoas podem ser severos. A severidade dos sintomas não estão correlacionados com o grau de má absorção da lactose. Ao contrário, os sintomas se relacionam com uma série de fatores, incluindo etnicidade, idade e grau de rapidez na digestão alimentar.
Os sintomas podem começar quase imediatamente após o consumo de leite e derivados. Isso não se deve ao fato da lactose ter alcançado os intestinos, mas porque o alimento no estômago catalisa o que é chamado de peristalse dos intestinos, o movimento muscular que impulsiona os alimentos para a frente.
A IL faz parte normal do envelhecimento da grande maioria das pessoas, e também pode ser causada por outros motivos – doenças, medicamentos, cirurgia – que danifiquem os intestinos. É a chamada IL secundária. Pode ser temporária, desaparecendo quando a doença cessa ou o dano se regenera, ou em adultos, especialmente, pode ser permanente.
Crianças, cujos intestinos são particularmente delicados, são especialmente vulneráveis à IL secundária. Uma “gripe estomacal” ou qualquer ocorrência prolongada de diarréia pode diminuir a produção de lactase. É necessário então dieta restritiva em leite (mesmo leite materno e fórmulas) até que seus intestinos possam se regenerar. Este processo pode levar algumas semanas. Afortunadamente, quase todos os bebês ficam aptos a ingerir leite normalmente assim que curados.
Os produtos lácteos são a maior fonte de cálcio, embora ele também possa ser encontrado em outros alimentos em menor teor, ou muitas vezes indisponíveis à absorção. Nosso organismo necessita de cálcio para ossos e dentes saudáveis. Nos últimos estágios da vida, a falta de cálcio pode levar à fragilidade e enfraquecimento dos ossos. Todas as pessoas necessitam ingerir alimentos ricos em cálcio para a construção de ossos fortes.
O que fazer em casos de intolerância à lactose:
• Ingira pequenas quantidades de produtos lácteos com mais frequência;
• Consuma ou beba produtos lácteos junto com outros alimentos na refeição ou lanche;
• Use alimentos com baixo teor em lactose, tais como leite com lactose reduzida, queijos duros, queijo cottage, iogurte com culturas ativas e sorvete;
• Compre alimentos constando no rótulo baixa lactose ou livre de lactose;
• Procure leite com redução de lactose ou leite com acidophilus. O sabor é ótimo e são fáceis de digerir mesmo para os portadores de IL.;
• Pergunte ao seu médico sobre gotas ou comprimidos especiais (enzimas lactase) que ajudam a digerir o leite e derivados. Pode-se adicionar gotas ao leite integral normal, leite com 2%, com 1% ou desnatado para diminuir seu teor em lactose.
Teor de lactose no leite de várias espécies mamíferas
Controle na dieta
O diagnóstico positivo de intolerância à lactose não significa que o leite e seus derivados, contendo lactose, devam ser eliminados da dieta. A redução do consumo de produtos lácteos devido à preocupação da IL pode resultar em menor ingestão dos nutrientes do leite, especialmente cálcio. O planejamento da dieta deve ser individualizado e periodicamente reavaliado pois os sintomas estão relacionados com a quantidade de lactose consumida em um tempo determinado.
Quantidade de lactose consumida
Cada indivíduo necessita determinar o quanto de lactose pode ser tolerada em certo tempo e ajustar a ingestão de acordo. Por exemplo, pode-se tentar consumir menos de ½ xícara de leite com alimentos em conjunto e aos poucos aumentar a porção até que os sintomas comecem a aparecer. Estudos clínicos demonstraram que pessoas diagnosticadas com má digestão à lactose podem consumir confortavelmente a quantidade de lactose contida em 1 xícara (240ml) de leite durante a refeição ou 2 xícaras divididas em doses por todo o dia. O consumo do leite em refeições ou com alimentos sólidos aumenta a tolerância à lactose, retardando o esvaziamento gástrico, o que permite ao organismo mais tempo para digerir a lactose e reduzir a quantidade de lactose não digerida que alcança o cólon.
Tipos de alimentos lácteos
Alguns tipos são melhor tolerados que outros. O chocolate ao leite deve ser melhor tolerado que o branco. Queijos duros, maturados – exemplos: cheddar, suíço, parmesão, colby – devido à quantidade insignificante de lactose e alto teor em sólidos, são geralmente bem tolerados. Os queijos maturados contêm quantidade mínima em lactose por conta da remoção do soro durante o processamento e a conversão para ácido lático e outros ácidos da lactose restante aprisionada na coalhada durante a maturação. Iogurtes com culturas vivas, ativas pode ser confortáveis para consumo. A capacidade de digestão da lactose em iogurte é explicada pela liberação da bactéria beta-galactosidase ou lactase das culturas iniciais do iogurte (ex: Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus thermophilus) após o consumo. Do mesmo modo, o estado semi-sólido do iogurte retarda o esvaziamento gástrico e tempo de trânsito intestinal, o que por sua vez, retarda a liberação da lactose no intestino. A tolerância ao frozen iogurte e sorvete é semelhante, embora menor que para os iogurtes normais. Kefir, leite fermentado, demonstrou ser bem tolerado como o iogurte. A adição de bactérias próbióticas (microrganismos vivos ao serem consumidos em quantidades adequadas conferem benefícios à saúde do consumidor) tais como L. Acidophilus aos produtos lácteos pode aliviar os sintomas da IL, embora os seus efeitos variem de acordo com o probiótico em específico, sua cepa, e concentração.
Adaptação
Alguns estudos demonstram que a tolerância à lactose pode ser superada com a exposição contínua aos alimentos ricos em lactose, especialmente leite. Mudanças adaptativas nas funções colônicas (motilidade, trânsito, pH) e microflora intestinal (ex: aumento de atividade microbiana beta-galactosidase) são sugeridas como possíveis mecanismos a esta resposta. Embora bebidas à base de soja ou de arroz sejam geralmente livres de lactose, os estudos indicam que o teor nutritivo destas bebidas não é equivalente ao leite bovino.
LISTA DE PRODUTOS LÁCTEOS - PORCENTAGEM MÉDIA DE LACTOSE
Leite integral / semi-desnatado /desnatado - 4,9%
Leite com lactose reduzida a 90% - 1,0%
Chantily - 2,9%
Iogurte integral - 4,5%
Leite condensado - 12,3%
Sorvete elaborado com leite - 5,7%
Manteiga - 0,9%
Margarina elaborada com leite - 0,5%
Leite em pó desnatado - 51,3%
Leite em pó integral - 37,5%
Soro de leite em pó - 69%
Queijo gorgonzola - 1,2%
Queijo brie - 1%
Queijo cheddar - 1%
Queijo camembert - 0,9%
Ricota - 3,6%
Queijo parmesão - 3,3%
Queijo mozzarella light - 3,1%
Fonte: NDC - National Diary Council (Conselho Nacional de Laticínios - EUA)
Bibliografia:
• Dairy Council Organization – Lactose Intolerance revisited. 2008. Vol 79, no. 5. www.nationaldairycouncil.org
• USDA – Lactose or Dairy Intolerance – disponível em www.nal.usda.gov- adapted from California Department of Health.
• Sem lactose – www.semlactose.com;
• Mayo Clinic – Lactose Intolerance. 2008. Disponível em www.mayoclinic.com.
* Licinia de Campos Graduada em Nutrição (Universidade São Judas Tadeu) com formação autodidata em Gastronomia; pós-graduada em Gestão de Negócios de Serviços de Alimentação (SENAC); curso de especialização em Docência e Didática para Ensino Superior em Turismo e Hotelaria (SENAC); curso de Auditor Líder ISO 22000 (Food Design); ex-redatora do Suplemento Feminino do jornal “O Estado de SP”; Seminário de Antropologia Alimentar : “Alimentation et hiérarchies sociales et culturelles” pelo IEHCA em Tours, França; participante do programa “Com Sabor” da Rede Mulher por 3 anos; tradutora de diversos fascículos e livros para a Editora Globo; consultora gastronômica- nutricional do site SIC (Serviço de Informação da Carne); palestrante especializada em Gastronomia e Nutrição; redatora da revista NutriNews ; docente em vários cursos das unidades SENAC ; Consultora e Assessora Especializada em Gestão Operacional Administrativa de Unidades Alimentares.
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