25/11/2009
IMPORTÂNCIA DAS BACTÉRIAS NO CÓLON
Dra Licinia de Campos, nutricionista *
O trato gastrintestinal tem 2 partes principais: o intestino delgado e o cólon, o intestino grosso. O cólon absorve água e permite que resíduos e toxinas sejam removidos do organismo. A microflora bacteriana no cólon é responsável por manter o funcionamento do cólon otimizado. Contudo, quando as bactérias nos intestinos ficam desequilibradas, podem levar ao mau funcionamento do cólon, o que retarda a digestão.
Probióticos
O significado literal da palavra “probiótico”é “para a vida”. Os probióticos são microrganismos que beneficiam a saúde dos seus consumidores, além da nutrição normal. Adicionam “boas” bactérias ao trato digestivo, o que torna o processo digestivo fluindo mais uniformemente. Alguns probióticos podem ajudar também a controlar infecções do trato urinário.
Iogurtes
O iogurte é produzido pela introdução de bactérias amistosas no leite. Estas bactérias ingerem os açúcares naturais do leite e produzem ácido láctico, causando a fermentação do leite e consequente coalho, e dando ao iogurte sua textura. Quando o iogurte não é aquecido para eliminar a bactéria após a fermentação, é comercializado como iogurte com bactérias “vivas”, encontradas em várias marcas atuais e que sabidamente exercem fatores benéficos à saúde. Os tipos de bactérias utilizadas para produção de iogurte provêm principalmente de duas famílias, Streptococcus e Lactobacillus. Geralmente, os iogurtes são feitos com 2 ou mais tipos de bactérias.
Flora intestinal
Muitas bactérias florescem no trato digestivo, inclusive as variedades Lactobacillus e Bifidobacterium. A saúde humana tem suporte de trilhões de microrganismos benéficos que habitam nossa flora intestinal. Os cientistas estimam que o organismo de uma mulher saudável abriga 750 trilhões de bactérias, fungos e outros microrganismos, e quanto aos seus genes estima-se superar este dado em cerca de cem vezes. Há uma ampla área de superfície para estes micróbios colonizarem o trato gastrointestinal, mas a competição para o estabelecimento é alta. Através de um processo de “exclusão competitiva”, o organismo determina qual bactéria vai estabelecer residência. Há diferenças complexas entre as cepas diferentes de micróbios. As espécies individuais podem ser tanto benéficas quanto malignas dependendo de numerosos fatores, inclusive estágio de vida, mutações, localização no organismo, e presença de outras cepas. O mais importante não é o balanço do número de bactérias, mas o equilíbrio entre elas.
A manutenção da saúde da flora intestinal ajuda a digestão e fortalece o sistema imune. A boa flora intestinal ajuda a evitar o empanzinamento, gases, e superdesenvolvimento de fungos pelo controle do nível de pH, ou acidez, dos intestinos. Micróbios amistosos ajudam a evitar doenças de várias maneiras. Eles deprivam os invasores de nutrientes e secretam ácidos que os micróbios menos amistosos não toleram bem. Eles reforçam a barreira da mucosa dos intestinos, bloqueando patógenos perigosos, toxinas, e alérgenos e ajudando o sistema imune a “aprender” qual deles não é seguro. Algumas bactérias estimulam o sistema imune pelo aumento da contagem de células-T, enquanto outras produzem antibióticos naturais e substâncias antifúngicas.
Os micróbios benéficos metabolizam e reciclam os hormônios, também, inclusive o estrógeno, hormônios da tireóide e fitoestrógenos. Isto facilita o equilíbrio hormonal adequado, minimizando os sintomas da menopausa e perimenopausa e protegendo a saúde dos ossos e mama. Eles também desintoxicam drogas e componentes perigosos, e alguns podem até ter efeitos anti-tumorais, anti-cancerígenos.
Desequilíbrio da flora
Os micróbios intestinais podem se introduzir por meio de doenças, estresse, uso de medicamentos e dieta pobre, mas o que se consome é o fator mais importante na manutenção de um intestino saudável. As boas bactérias festejam as fibras. Os maus indivíduos amam açúcar refinado e gordura animal. Fornecendo um suprimento disponível de hortaliças, leguminosas e grãos integrais, as boas bactérias vivem mais e prósperas. Os polifenóis, encontrados em alimentos como alho, chá verde, azeite de oliva, café, nozes, pipoca, erva-mate e outras frutas e hortaliças, são úteis em estimular seu crescimento nos intestinos. Podem diminuir os níveis de colesterol e estabilizar o açúcar do sangue, e estão associados com menor risco para osteoporose. Os prebióticos incluem os fruto-oligassacarídeos e a inulina, açúcares naturais encontrados em bananas, raiz de chicória, cebola, alho-poró, frutas, grãos de soja, batata doce, aspargos e alguns grãos integrais.
No entanto, para muitos de nós, somente a dieta é insuficiente quando é necessário reestabelecer a saúde da flora intestinal. Lembre-se de que estamos falando de trilhões de bactérias! E idade, dieta pobre, estresse, doenças e medicamentos, todos pagam pedágio aos pequenos auxiliares dos intestinos. Quando a pessoa está inteiramente livre de distúrbios intestinais ou outros sintomas, a dieta provavelmente a mantém equilibrada. Mas, o consumo de probióticos com certeza agiliza todo o processo.
Tipos de bifidus
Características do gênero Bifidobacterium
A bactéria Bifido é gram positiva, com formato anelado e organismos anaeróbicos. Sua morfologia varia dependendo da cepa e espécies. Tem células curtas, regulares, finas com pontas agudas ou células longas com curvas suaves ou protuberâncias. Pode ser encontrada também em formatos cúbicos, ou com extremidades espatuladas e mesmo em formato de estrela no seu arranjo.
A bifidobacterium é habitante normal do intestino dos bebes amamentados no seio. O leite humano já provou ser um bom substrato para o crescimento das bifidobacterias, devido à presença do fator bifidus. A bifidobacteria de origem infantil tal como B. Bifidum e B. Infantis se desenvolve e se implanta no epitélio de bebes alimentados ao seio.
Bifidobacterium Bifidum
É uma cepa de probióticos benéficos, vive no intestino e em pequenas quantidades no leite de animais selvagens, na vagina e boca humanos. Já demonstrou ter numerosos efeitos benéficos, incluindo a cura e prevenção de infecções do trato urinário, colesterol alto, diarréia, decadência dentária e alergias. Este tipo de bifidus pode ser tomado na forma de suplemento.
Bifidobacterium Longum
É com frequência o tipo de bactéria positiva mais comumente encontrada no organismo humano. É a primeira cepa de bactérias a colonizar o trato intestinal de recém-nascidos e é responsável pela fermentação dos açúcares em ácidos lácticos. Seus benefícios na saúde humana são numerosos e incluem a redução de risco de certos tipos de câncer, a redução de sintomas de alergia, otimização do sistema imune, aumento de absorção do cálcio e auxílio na constipação.
Bifidobacterium Infantis
Foi conhecida por algum tempo por suas propriedades benéficas na prevenção da inflamação associada com vários tipos de condições patológicas, incluindo artrite, doenças inflamatórias do intestino, colite e diabetes do tipo 1. Os estudos mais recentes indicam que a B. infantis pode ser valiosa também no tratamento dos sintomas inflamatórios da síndrome do intestino irritável (IBS).
Bifidobacterium Lactis
É outra cepa de bifidus que habita o trato intestinal. Frequentemente associada com a Bifidobacterium animalis, a B. lactis demonstrou ser benéfica para numerosos problemas de saúde, incluindo alergia ao glúten, redução do risco de câncer, otimização geral do sistema digestivo e fortalecimento das funções do sistema imune.
Bifidus Regularis ou Bifidobacterium animalis subsp. animalis, cepa DN-173 010:
Após pesquisas intensas, foi registrada a bactéria com essa denominação. A cia que a registrou, escolheu este probiótico específico por conta da sua capacidade de sobrevivência na jornada pelo trato digestivo e no cólon, onde se torna efetivo. B. Regularis tem efeitos globais benéficos no trato digestivo. Pode ajudar também a evitar constipação e a incrementar o sistema imune.
O que o Bifidus Regularis faz
É um probiótico, ou bactéria amistosa encontrada no iogurte. É semelhante às bactérias que crescem naturalmente no trato gastrintestinal humano. É feito com cepas vivas de culturas bacteriais ativas. Estas culturas são saudáveis para o cólon, recolocando “boas” bactérias depletadas por idade ou uso de antibióticos. Um estudo publicado no Ecologia Microbiológica da Saúde e Doença demonstrou que o B. Regularis tem sucesso em mover a matéria fecal através do cólon rápida e eficientemente, um fator de digestão chamado de “tempo de trânsito”. Quanto mais rápido o tempo de trânsito, mais saudável o trato digestivo.
Conceitos errados
Os probióticos não são medicamentos ou laxativos. São simplesmente microrganismos que podem ajudar o organismo se consumidos regularmente. O Bifidus regularis não contém fibras ( embora alguns iogurtes contendo probióticos também contenham fibras). O B. Regularis pode ser consumido por crianças e todas as idades de adultos sem preocupações.
Fontes de referência:
• En.wikipedia.org – Polyphenol;
• Oxford Journal of Medicine – British Medical Bulletin. Gastro-intestinal tract. Volume 42, number 2, page 176-180. 1986.
• National Center for Complementary and Alternative Medicine. An introduction to probiotics. Web site: nccam.nih.gov.
• Fabian E, Elmadfa I. Influence of daily consumption of probiotic and conventional yoghurt on the plasma lipid profile in young healthy women. Ann Nutr Metab. 2006; 50 (4): 387-93. Epub 2006 Jun 30 2006.
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• Bowen. R. Control of Digestive System Function. Chapter: Gastrointestinal Transit: how long does it take? 2005. Colorado State University.
* Licinia de Campos Graduada em Nutrição (Universidade São Judas Tadeu) com formação autodidata em Gastronomia; pós-graduada em Gestão de Negócios de Serviços de Alimentação (SENAC); curso de especialização em Docência e Didática para Ensino Superior em Turismo e Hotelaria (SENAC); curso de Auditor Líder ISO 22000 (Food Design); ex-redatora do Suplemento Feminino do jornal “O Estado de SP”; Seminário de Antropologia Alimentar : “Alimentation et hiérarchies sociales et culturelles” pelo IEHCA em Tours, França; participante do programa “Com Sabor” da Rede Mulher por 3 anos; tradutora de diversos fascículos e livros para a Editora Globo; consultora gastronômica- nutricional do site SIC (Serviço de Informação da Carne); palestrante especializada em Gastronomia e Nutrição; redatora da revista NutriNews ; docente em vários cursos das unidades SENAC ; Consultora e Assessora Especializada em Gestão Operacional Administrativa de Unidades Alimentares.